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Archive for Junho, 2009

Foto de Gastão de Brito e Silva, em 'Ruin'Arte'

Gastão de Brito e Silva, fotógrafo de arquitectura e publicidade, reuniu dezenas de edifícios abandonados na série de imagens Ruin’Arte, que vai expor e editar em livro como ‘denúncia’.

A chaminé de tijolo por detrás da fachada setecentista inquietava-o quando por ali passava a caminho do quartel. Acabou a tropa, regressou a Lisboa, fez da fotografia profissão e, um dia, voltou a cruzar-se com aquela estranha igreja de Ribeira de Seiça. Estava ainda mais decrépita do que se lembrava, com arbustos nas torres e mato em redor. E assim a fotografou, antes de saber que fora um mosteiro beneditino do século XII, mandado construir por D. Afonso Henriques e vendido a particulares após a extinção das ordens religiosas, em 1834, dando depois lugar a uma fábrica de descasque de arroz. Foi com este imóvel, hoje propriedade da Câmara da Figueira da Foz, que Gastão de Brito e Silva iniciou a série Ruin’Arte.

Dezenas de igrejas, palácios, fábricas, fortes ou edifícios urbanos de várias épocas, todos em ruínas, integram agora este levantamento feito a expensas próprias, nos tempos livres que lhe deixam a fotografia publicitária e de arquitectura. Por espírito de serviço cívico.

Em apenas um ano, Gastão de Brito e Silva (Lisboa, 1966) reuniu mais de 200 imagens que tenciona expor e publicar em livro, acompanhando a edição com as histórias de cada edifício, e contando, para o efeito, com a colaboração de dois historiadores. Entre a fotografia artística trabalhada digitalmente e a “denúncia”, Ruin’Arte é um projecto que visa “chamar a atenção para a degradação do património arquitectónico”, explica ao DN.

Um bairro operário de Marvila; os moinhos de maré do Seixal que D. Nuno Álvares Pereira mandou erigir; a Quinta da Alagoa (onde viveu o padre António Vieira e se produziram os primeiros vinhos de Carcavelos); o Teatro Tália (para as óperas do conde de Farrobo, em Lisboa); o Paço das Alcáçovas, em Viana do Alentejo (onde se realizaram dois casamentos reais e fez testamento D. Manuel I); o Hotel Miramar (no Monte Estoril) ou as fábricas Mundet e Cabos d’Ávila são exemplos de ruínas emblemáticas.

“Sensibilidade histórica é o que falta a quem manda”, acusa Gastão de Brito e Silva, recordando que “a maioria destas ruínas são edifícios públicos” e que, se recuperados, muitos poderiam ser “fontes de receitas turísticas”.

Reportagem DN-Artes por PAULA LOBO em 02 de Junho 2009

http://www.dn.pt/inicio/artes/Interior.aspx?content_id=1251143

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