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Archive for Julho, 2011

“O nível cultural de um país avalia-se não pelo património que tem mas pelo modo como trata dele”, Dr. Francisco Pato de Macedo

Nos passados dias 7 e 8 de Julho, decorreu na Casa do Paço na Figueira da Foz, por iniciativa da Câmara Municipal, o Encontro “Mosteiro de Santa Maria de Seiça: Abordagens e Perspectivas”, inserido nos Encontros de Cultura e Património.

Com mais de uma centena de participantes, e diversas intervenções, de especialistas das áreas da história, da engenharia, da arquitectura, do património, foi feita uma abordagem à história deste Mosteiro da Ordem de Cister, cuja construção inicial remonta ao século XII e que constitui um dos monumentos mais antigos do concelho da Figueira da Foz.

Texto e fotos de Madalena Canas - Clube Raizes - http://www.clube11raizes.wordpress.com

Os especialistas foram unânimes em considerar que este mosteiro é uma jóia de valor incalculável e que, há muito, deveria ter recebido obras de reabilitação, que impedissem a tão grande degradação em que se encontra.

Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o mosteiro foi vendido e adquirido por particulares, que passados alguns anos nele instalaram uma fábrica de descasque de arroz, como comprova a alta chaminé, na qual fazem ninhos as cegonhas. Desta função industrial do mosteiro, para além da chaminé, pouco resta. Em 1976 foi abandonada a actividade de descasque de arroz e o mosteiro, que já desde o século XIX se encontrava degradado, cada vez viu aumentar mais o seu estado de abandono e de degradação.

Texto e foto de Madalena Canas - Clube Raizes - http://www.clube11raizes.wordpress.com

No cimo das torres há muitos anos que nasceram e cresceram oliveiras que, dando-lhe um ar insólito, contribuem para o aumento da ruína, já que as suas raízes se encontram entranhadas na pedra, fazendo-a desligar. O mesmo acontece com as ervas e arbustos que proliferam por todo o lado.

O Engenheiro Vasco Appleton, indicou os pontos de maior risco e onde a intervenção é mais urgente: fracturas, descarnamento de estruturas que deveriam estar cobertas, infiltrações de água que a passos largos levam este mosteiro à degradação contínua, corte das oliveiras e intervenção nas ervas. Veja-se o estado miserável em que se encontra o telhado que, na parte da igreja, praticamente já não existe.

Uma das propostas dos alunos de arquitectura. Texto e foto de Madalena Canas - Clube Raizes - http://www.clube11raizes.wordpress.com

Aos alunos de arquitectura, da Escola Universitária das Artes de Coimbra, sob a orientação do professor Carlos Figueiredo, foi proposto elaborarem projectos para a intervenção no Mosteiro de Santa Maria de Seiça, no sentido de o reabilitar. Foi assim que surgiram interessantes propostas, mantendo a traça original e indo para além disso, na criação de espaços  novos para possíveis utilizações e fruição da “solidão e do silêncio” de Seiça. Na opinião deste professor e dos seus alunos, construir em Seiça uma academia de música “Seiçamusic”, seria uma ideia muito interessante.

Texto e foto de Madalena Canas - Clube Raizes - http://www.clube11raizes.wordpress.com

Inês Pinto e Sílvio Gaspar, apaixonados pelo mosteiro, apresentaram uma reconstituição virtual, mostrando como seria o mosteiro de Santa Maria de Seiça no século XIX.

Simultaneamente ao Encontro esteve patente a exposição de fotografia “Seiça: Mosteiro esquecido”, do GAFA, grupo de amigos fotógrafos amadores.

O Mosteiro de Seiça, actualmente património da Câmara Municipal da Figueira da Foz e Imóvel de Interesse Público desde 2002, já deveria ter sido reabilitado há muito tempo. Não foi. Não há tempo a perder, caso contrário a ruína total será uma evidência e perder-se-á uma parte significativa da história da freguesia do Paião, do concelho da Figueira da Foz, de Portugal e da Ordem de Cister. É isso que não queremos.

Queiramos que este Encontro tenha sido o 1.º passo para a reabilitação do Mosteiro de Santa Maria de Seiça, que as populações locais tanto prezam e lamentam o seu estado de abandono. Esperemos que haja uma intervenção urgente e que surjam interessados nesta obra, que bem poderá ser um motivo de atracção turística, que poderá ajudar a promover o concelho da Figueira da Foz.

Filme sobre o Mosteiro de Seiça

Publicado em Julho 16, 2011 por clube11raizes
http://clube11raizes.wordpress.com/2011/07/16/mosteiro-de-santa-maria-de-seica-urgente-intervir-contra-a-morte-lenta/

Visite o Blogue “Clube Raizes” em  www.clube11raizes.wordpress.com

Blogue " Clube Raizes " - http://www.clube11raizes.wordpress.com

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Encontro “Mosteiro de Santa Maria de Seiça: Abordagens e perspectivas”

A Câmara Municipal está a tentar contactos na perspectiva da recuperação do Mosteiro. Uma tarefa árdua, mas a convicção de que algo tem que ser feito é maior, após o encontro que sublinhou a importância daquele património

De maneira informal, a Câmara Municipal iniciou «contactos com investidores hoteleiros, na perspectiva da recuperação do Mosteiro de Seiça, que é desejável e urgente, tendo em conta tão importante património histórico e cultural», revelou o vicepresidente da câmara na abertura do encontro, subordinado ao tema “Mosteiro de Santa Maria de Seiça: Abordagens e perspectivas”.

Carlos Monteiro referiu que a temática podia «parecer à priori de grande incómodo para a câmara municipal», mas salienta que «não é nossa prática fugirmos de situações menos confortáveis». Aliás, o vice-presidente sustentou que «não é aceitável existir um Monumento, com a importância que o Mosteiro de Seiça possui, e não se tentar intervir». Apesar do impedimento do estado das finanças do município, «com certeza que no final deste encontro todos sairemos com a convicção de que algo se háde fazer e de que não pode ser política dos portugueses desistir sem tentar», disse. Carlos Monteiro referiu ainda que há cerca de um ano, e com o actual executivo já em funções, iniciaram-se os contactos com a Associação Portuguesa de Cister e com as delegações portuguesas da UNESCO e da WORLD MONUMENTS FUND (organização nova-iorquina, dedicada à preservação de sítios e monumentos de importância histórica mundial e que se encontram em risco de conservação), «tendo em vista soluções de reabilitação e requalificação do imóvel».

Excerto da Notícia do jornal “A Voz da Figueira” – Edição de 13 de Julho de 2011
http://www.avozdafigueira.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=121%3Anovo-capitao-de-porto-vai-contar-com-uma-embarcacao-de-alta-velocidade&Itemid=57

Durante dois dias vários especialistas falaram sobre intervenções em património e o caso de Seiça.

Textos e Fotos de de Arlete Silva, jornal "A Voz da Figueira"

De maneira informal, a Câmara Municipal iniciou «contactos com investidores hoteleiros, na perspectiva da recuperação do Mosteiro de Seiça, que é desejável e urgente, tendo em conta tão importante património histórico e cultural», relevou o vice-presidente da câmara na abertura do encontro, subordinado ao tema “Mosteiro de Santa Maria de Seiça: Abordagens e perspectivas”.
Carlos Monteiro referiu que a temática podia «parecer à priori de grande incómodo para a câmara municipal», mas salienta que «não é nossa prática fugirmos de situações menos confortáveis». Aliás, o vice-presidente sustentou que «não é aceitável existir um Monumento, com a importância que o Mosteiro de Seiça possui, e não se tentar intervir». Apesar do impedimento do estado das finanças do município, «com certeza que no final deste encontro todos sairemos com a convicção de que algo se há-de fazer e de que não pode ser política dos portugueses desistir sem tentar», disse.
Carlos Monteiro referiu ainda que há cerca de um ano, e com o actual executivo já em funções, iniciaram-se os contactos com a Associação Portuguesa de Cister e com as delegações portuguesas da UNESCO e da WORLD MONUMENTS FUND (organização nova-iorquina, dedicada à preservação de sítios e monumentos de importância histórica mundial e que se encontram em risco de conservação), «tendo em vista soluções de reabilitação do imóvel».
Neste seguimento, a presente edição destes Encontros justificou-se pela vontade de intervir e proteger, divulgando a história por detrás das ruínas, mas reflectindo sobre soluções compatíveis com a sua reabilitação, quer através da participação de organismos públicos, mais ou menos privados, portugueses ou estrangeiros. «O mais importante é a salvaguarda do interesse público na reabilitação deste mosteiro», sublinhou Carlos Monteiro.
Da iniciativa da Câmara Municipal, pretende-se que este seja o primeiro de vários Encontros de Cultura e Património, num formato que se deseja de carácter anual, destinado a debater e divulgar temas culturais e patrimoniais, de interesse nacional e municipal.
A organização desta primeira edição, que culminou com uma visita ao Mosteiro e Capela Octogonal, esteva a cargo de Teresa Folhadela (Coordenadora), Anabela Bento, Guida Cândido, Inês Pinto, Manuela Silva e Sónia Pinto.

José Coelho está a elaborar uma réplica do Mosteiro

Textos e Fotos de Arlete Silva, jornal "A Voz da Figueira"

Reconstituição virtual do Mosteiro de Seiça

Textos e Fotos de Arlete Silva, jornal "A Voz da Figueira"

Excertos da Notícia do jornal “A Voz da Figueira” – Edição de 13 de Julho de 2011

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Nos passados dias 7 e 8 de Julho, o Município da Figueira da Foz organizou os Encontros de Cultura e Património, nesta primeira edição subordinados ao tema “Mosteiro de Santa Maria de Seiça: Abordagens e Perspectivas”.
Ao longo dos dois dias, dezenas de pessoas ouviram diversos especialistas apresentar as suas teorias e propostas para a preservação/recuperação do monumento.
No seu discurso de abertura, Carlos Monteiro, vice-presidente da autarquia, admitiu que “a temática deste primeiro encontro, sobre o Mosteiro de Seiça, pode parecer à priori de grande incómodo para a câmara municipal, contudo, não é, não pode ser, nossa prática fugirmos de situações menos confortáveis e permitir que assuntos ainda não resolvidos sejam deixados no esquecimento”. Carlos Monteiro considerou que “não é aceitável existir um Monumento, com a importância que o mosteiro de Seiça possui, e não se tentar intervir. E, embora as finanças da câmara atravessem uma fase muito difícil, e não seja viável, na conjuntura actual, libertar verbas para a recuperação deste monumento, com certeza que no final deste encontro todos sairemos com a convicção de que algo se há-de fazer e de que não pode ser política dos portugueses desistir sem tentar até à exaustão”.
O vereador lembrou ainda que “há cerca de um ano, e com o actual executivo já em funções, iniciamse os contactos com a Associação Portuguesa de Cister e com as delegações portuguesas da UNESCO e da World Monuments Fund (organização nova-iorquina, dedicada à preservação de sítios e monumentos de importância histórica mundial e que se encontram em risco de conservação), tendo em vista soluções de reabilitação e requalificação do imóvel”.
Mais recentemente, avançou ainda “e de maneira informal, iniciaram-se também contactos com investidores hoteleiros, na perspectiva da recuperação do Mosteiro de Seiça, que é desejável e urgente, tendo em conta tão importante património histórico e cultural”.
Os trabalhos culminaram com uma visita ao Mosteiro de Seiça, cujo estado de ruína levou alguns participantes a considerarem-no “uma vergonha nacional”, pedindo à autarquia “que seja mais proactiva”.
Entre outras, destaque-se a opinião de Vítor Cóias, presidente do GECoRPA, que elogiou a iniciativa destes Encontros, considerando que “conhecer já é começar a preservar”. Ao lado de Vítor Cóias, o vereador da Cultura, António Tavares, concordou com a perspectiva apresentada, defendendo que o caminho passa por “não perder os valores historicamente associados ao monumento, regulando o interesse privado e nunca perdendo de vista o interesse colectivo”.
A concluir o certame, José Aguiar, vice-presidente do ICOMOS, deu exemplos – bons e maus – de conservação e restauro. “A boa intervenção (no património) é aquela que quase não se vê, mal se nota, mas preserva para o futuro”, disse.
Nas conclusões, António Tavares considerou terem sido atingidos os principais objectivos destes Encontros: “divulgar a história por detrás destas ruínas e reflectir sobre soluções de reabilitação compatíveis com os princípios do desenvolvimento sustentável, ambicionando o debate de ideias sobre a salvaguarda, a manutenção e a gestão do património cultural em geral, como via para a sustentabilidade e competitividade das regiões”.

Excerto da Notícia do jornal “O Figueirense” – Edição de 15 de Julho de 2011
http://www.ofigueirense.com/seccao.php?id_edi=241&id_sec=4

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